4-Faça diferente todos os dias! Data.: 30/11/2007 Fonte.: RH.com.br Criatividade no dicionário quer dizer “ver-se, ter coragem para empreender”. Não seria isso que falta hoje a todos nós nas empresas? Que mundo corporativo é este em que vivemos, onde milhares de cursos, palestras, seminários e até congressos são realizados, “tematizando” a criatividade; ilustrando o perfil do profissional moderno como sendo possuidor, entre outros, de criatividade para “batalhar” o seu trabalho? Alias, essa é a questão de muitas palestras que estão acontecendo neste exato momento “O que você fez de diferente no dia de hoje em seu ambiente de trabalho?”.

Mas se criar é a capacidade de dar origem, tirar do nada, imaginando, inventando novas idéias, como fazer isto acontecer sem ousadia? Sem coragem para empreender? Não é fácil ser criativo. Não é fácil ter uma idéia em que ninguém ainda pensou. E quando “dá o click” é preciso correr, pois já dizia o poeta que o tempo não pára e se demorar outro terá a mesma idéia e, sendo mais rápido que você, terá “todos os méritos da invenção”. Aí, para criar algo novo – de novo – será desanimador.

Alias, já existem escolas com conteúdos de criatividade obrigatórios em suas disciplinas e em algumas universidades a criatividade faz parte da grade curricular obrigatória. Agora pergunto: criatividade se aprende?

Com tantos cursos voltados para esse foco (ou seria “moda de mercado”?), fico com medo de pensar que sim. Criatividade não pode ser considerada um dom. Todos nós somos criativos. Afinal, quando criança, como aprendemos a desenhar nossos rabiscos? Ninguém nos ensina. Simplesmente desenhamos o que achamos que devemos desenhar, pois ainda não possuímos padrões estabelecidos.

E é isso que falta em nós, quando adultos. Deixamos de criar.

Nos apegamos aos padrões que nos impedem de crescer, ampliar e inovar. Alias, o novo, muitas vezes deixa de ser aplaudido, pois nossos padrões consideram o novo, algo agressor, como um “soco na vista”. Mas não dá para sermos criativos sem sermos ousados. Afinal, para criar algo novo, partindo do nada é preciso empreender, ou seja, ousar. Pena que nossas professoras, na pré-escola, muita das vezes, ao invés de elogiar a crianção, preferem tentar interpretá-la e mandar corrigir os “imperfeitos”. Até hoje lembro quantas vezes era obrigado a preencher os branquinhos deixados no desenho, pois aquilo era falta de capricho no pintar. Agora, se todos nós somos, por essência criativos, por que não ousamos também? Devíamos ousar mais nas nossas idéias. Não ter medo de ouvir “não”. Acreditar naquilo que nossa voz interior diz (todos somos um pouco “esquizofrênicos” e ouvimos uma voz no nosso íntimo). Ousar a acreditar. Acreditar em nós. Em nosso potencial.

Agora, vamos voltar ao mundo real…

O mundo da falta de emprego, da falta de espaço dentro da empresa para fazer algo novo, do cansaço excessivo, de sermos meramente operatórios, esquecendo que podemos ser estratégicos também. Vamos voltar ao mundo, onde é preciso fazer o que o nosso superior quer e onde alguns, ainda não permitem que possamos opinar. Apenas operar. Sim.

Eu também vivo nesse mundo. O desemprego me assusta. A empresa não abre espaço para criar. Chego cansado em casa. Mas tento fazer cada dia do meu trabalho de uma forma diferente. Tem dias, que dá certo. Em outros, não. Porém, busco ousar. Tento acreditar em mudanças. Arrisco. Só o fato de sentar em frente ao computador e parar para pensar no que escrever aqui, é uma forma de criar. Do nada, surgir um texto onde possa fazer outros leitores a pensarem juntos. Aí entra o ousar. Afinal, chego à conclusão que criar e ousar andam de mãos dadas. Se não fosse isso, ainda estaríamos nos comunicando por sinais de fumaça. Se navegar é preciso.

Criar é ainda mais. E aí, embalados pelo famoso ditado do Chacrinha “Na televisão nada se cria; tudo se copia”, o adaptamos para o mundo corporativo e criamos o benchmarking. A forma mais politicamente correta de copiarmos as idéias dos outros. E isso é bom, pois colocamos em prática, outras idéias, adaptadas às nossas realidades corporativas, e tentamos fazer diferente. Ou seja, criamos situações ao nosso dia-a-dia, baseadas em idéias pré-existentes. Ousamos sair da mesmice. E

não é essa a questão? Fazer diferente todos os dias? Pois então. Que se faça o benchmarking. Mas tenho medo que todos um dia decidam “colar” a idéia do outro e ninguém mais criar; como ficaremos no futuro próximo? Todos fazendo benchmarking e não existindo uma única pessoa para criar novas idéias a serem copiadas! As idéias se reciclam. E somente se ousarmos ser diferentes é que elas surgem e daí boas novas para todos poderão acontecer.

O importante é não permitir que sejamos apenas operadores. E sim, tirarmos uns minutos por dia e perguntar: como eu posso fazer isso ser diferente? A resposta? Bem, isso eu não tenho de imediato. Mas acredito que depende de cada um buscá-la. A empresa pode sim, oferecer alguns instrumentos, momentos, onde a criatividade possa ser exercida.

Um líder que esteja aberto às novas idéias; um curso que venha contribuir para mudanças; liberdade para exercer melhor nossas funções. Isso tudo pode contribuir. Algumas organizações, até culturalmente podem não ter essa abertura. Mas não é melhor estarmoscom a consciência de que tentamos? Correr atrás. Ousar. Expor as idéias. Fazer acontecer? O não de hoje pode ser a solução de amanhã. Daniel Stur – É pedagogo, habilitado em administração escolar com ênfase em RH.